terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Ari Hauck participa de seminário sobre ‘Mais Médicos’

Ivan Gomes
Evento foi realizado na UNIFESP- Universidade Federal de São Paulo - e teve participação de vários diretores de ministérios

O vice-prefeito de Itatiba, Ari Hauck, o dr. Ari, participou na manhã de quarta-feira (11), de seminário sobre o Programa Mais Médicos do governo federal. Hauck representou a Faculdade de Medicina de Jundiaí onde é professor do departamento de Saúde Coletiva.
O evento realizado na Universidade Federal de São Paulo teve participação de vários integrantes dos ministérios da Saúde e da Educação, do Conselho Regional de Medicina, do senador Cristovan Buarque, do teólogo Frei Beto, além de professores e diretores da Escola Paulista de Medicina, estes últimos ferrenhos críticos no lançamento do programa. O seminário foi ministrado para representantes das faculdades de medicina da Grande São Paulo e também para os formandos de medicina, onde se discutiu o programa desenvolvido pelo governo federal e seus benefícios à população.
Ao final do evento, Hauck falou sobre o seminário e suas impressões. “Inicia-se agora o segundo ano do programa ‘Mais Médicos’. Em nossa região os municípios de Campinas, Campo Limpo, Cabreúva, Itatiba, Jundiaí, Atibaia, Piracaia e Sumaré inscreveram-se para receber profissionais que integram o projeto Mais Médicos. Estranhei não ver os municípios mais carentes em atendimento médico nesta lista”, comentou o vice-prefeito.
O seminário apontou consenso de que o projeto atingiu seu objetivo e vem sendo paulatinamente aceito por seus críticos. Como disse Frei Beto “o governo federal foi incompetente em melhor divulgar todas as faces e benefícios, apenas fixando-se eleitoralmente na alocação emergencial e temporária de médicos”, afirmou.

FASE

Nesta segunda fase, o número de médicos brasileiros inscritos foi surpreendente e restarão poucas vagas aos estrangeiros. “O temor de que isso iria rebaixar o salário médio não se realizou, muito menos a falta de competência e problemas éticos. Também não se viu um exército cubano invadindo o país. No entanto, é inaceitável que cidades como Campinas, Jundiaí e mesmo Itatiba, que tem capacidade financeira de fixar seus profissionais, ocupem as vagas de Morungaba, Jarinú, Pedra Bela, Perdões, Tuiuti, Vargem e outras tantas”, alegou Hauck.
Para Hauck, neste ponto o projeto em dois pontos. “[Primeiro] não atende seu objetivo primordial que é de levar médicos aos locais mais necessitados e afastados dos grandes centros. Aqueles municípios ainda são reféns de ‘pseudoempresas agenciadoras de médicos visitantes’ que absorvem o orçamento municipal de saúde sem garantir nem respeitar minimamente os princípios do SUS [Sistema Único de Saúde]. Em segundo lugar, atrasa a fixação dos profissionais e a implantação de uma verdadeira rede de atenção básica de saúde por favorecer os municípios mais equilibrados economicamente e que poderiam investir na atenção primária e na carreira do médico e demais profissionais de saúde”, explicou o vice-prefeito.

Divulgação
Ainda segundo Hauck, o médico cita Itatiba que deixou de investir na carreira do médico e com isso perdeu mais de 15 profissionais em exercício há muitos anos no município. “Com isso o atendimento só não entrou em caos pela vinda dos médicos cubanos. Há que se corrigir tais pontos instituindo-se uma carreira estadual do médico a ser remunerado pelo Governo do Estado e serem fixados nos pequenos municípios, os quais, além de não terem recursos, são impedidos de pagarem ao médico um salário maior que o do prefeito”, ressaltou.

DIFICULDADES

Hauck disse também que o projeto enfrenta dificuldades com a falta de vagas e de faculdades de medicina assim como de residências médicas onde se priorize a formação em Medicina Geral de Família e de Comunidade. “Mesmo assim há saídas viáveis que resgatam no curriculum da faculdade o exercício da profissão do ‘médico cuidador da vida’, combatendo o paradigma do mercantilismo na saúde. Hoje as escolas formam profissionais para o pronto atendimento e para a triagem e encaminhamento a especialidades segmentadas e compartimentadas, onde o paciente é visto apenas como mais um ‘caso de um órgão doente’ e não como uma pessoa que luta para recuperar sua saúde”, analisou.
Mesmo faltando ao Mais Médicos a esperada supervisão em serviço e também melhores condições para a Educação Permanente, o programa atraiu nesta segunda etapa grande parte dos recém-formados por se constituir no caminho natural, melhor remunerado e menos precarizado (pois ainda há que se garantir direitos trabalhistas) para a conquista da Residência Médica.
“No entanto ainda estamos distantes de garantir à população aqueles princípios fundamentais do SUS com um atendimento resolutivo, ou seja, um acompanhamento continuado do cuidado ao paciente até sua alta. Ainda estamos longe da atenção integral onde o médico trabalha em equipe não apenas na cura do doente, mas principalmente na promoção das condições de saúde, na prevenção e diagnóstico precoce.  Mais ainda, estamos distantes da atenção humanizada onde o cuidador se responsabiliza pelo apoio, esclarecimento e orientação da pessoa, sua família e da comunidade ombreando-se pela elevação da qualidade de vida”, argumentou Hauck.
O médico disse ainda que “acredito no que este seminário mostrou; que a real implantação dos princípios do SUS e da Atenção Primordial à Saúde só serão efetivadas por uma atuação não preconceituosa, isenta de dogmas e verdades incontestáveis, e especialmente com a adoção de uma visão tecnicamente estruturada e democraticamente concebida, sem partidarismos infantis. Claro que isto necessita de um financiamento honesto, transparente, participativo que enfrente as já conhecidas ‘forças ocultas da morte’ com suas contas clandestinas na Suíça e outros paraísos fiscais”, encerrou o vice-prefeito.

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