segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Ari Hauck comenta sobre cargos comissionados na Prefeitura de Itatiba

Fotos: Ivan Gomes

Termina nesta semana o prazo para que o prefeito João Fattori (PSDB) manifeste-se sobre o processo de nomeações em cargos de confiança, no entanto tem ainda cerca de 80 dias para atender o mandado judicial para demitir todos os nomeados sem concurso público.
Enquanto isso a sociedade, sabendo do significado das nomeações, se indigna com o abuso nos gastos e a ineficiência dos serviços públicos. Estamos vendo atônitos a máquina administrativa tropeçar em si mesma.
O serviço público tem grande número de servidores que levam a sério sua opção de vida. É devido a estes funcionários que a máquina administrativa caminha e mantém sua eficácia, são estas pessoas dedicadas que resolvem os problemas e dão satisfação ao seu patrão que é a população contribuinte. Claro que as metas e objetivos são direcionados e afinados pelo prefeito e sua equipe passageira, podendo melhorar em muito esta eficiência e atender melhor ao contribuinte quando o prefeito eleito tem uma boa sintonia com a sociedade, tem vontade e sabe estimular e dirigir os servidores públicos na direção indicada pelas comunidades.
A própria sociedade compreende isso e aprova as leis dando ao Executivo a oportunidade de nomear certa proporção de pessoas de capacidade e de sua estrita confiança para ajudá-lo na condução destes trabalhos. No entanto, espera-se destes cargos de confiança uma atuação adequada e resolutiva para operarem tarefas importantes e estratégicas. Muitas vezes estes nomeados, recebidos a princípio com desconfiança pelos efetivos, superam estas dificuldades iniciais e acabam enriquecendo o serviço público com novas e modernas práticas administrativas.
Esta é a visão que tenho na minha experiência de funcionário concursado no Governo do Estado e na Faculdade de Medicina de Jundiaí. É sempre preferível que o executivo passageiro conheça e saiba valorizar o corpo efetivo da administração pública, que respeite sua capacidade e não tripudie das carreiras e da evolução deste corpo. Por outro lado, também se aplaude quando o administrador eleito traz pessoas de valor que contribuem para a eficácia e eficiência do serviço público.

'Infelizmente não é isso que vemos em Itatiba', afirma Hauck

No inicio desta gestão fomos recebidos com entusiasmo pela maioria dos funcionários, ansiosos por uma nova prática desenhada em nosso Programa de Governo. No entanto a decepção foi geral, especialmente de minha parte que me afastei da administração Fattori. Hoje vemos o desânimo e o descrédito tomar conta do corpo funcional, vemos o reflexo disto no real abandono a que se relegou à máquina administrativa e seus reflexos nos péssimos serviços prestados.
A reforma administrativa pela qual lutei e que deveria dar base à implantação de Planos de Carreira, serviu apenas de desculpa para a aprovação de centenas de cargos comissionados os quais estão sendo usados unicamente “como forma de conquista de apoio político”, como o Ministério Público (MP) aponta nos autos do processo.
 A improbidade não se limita apenas a este terrível aspecto que se agrega à vergonha nacional da corrupção instituída. Anexo abaixo as considerações da Promotoria Pública:
“Repise-se que a Lei 4.444/2012 não definiu as atribuições de nenhum dos cargos em comissão.”...  Isso sim afeta os princípios da Administração Pública, principalmente o da legalidade... As Leis Municipais acima referidas, portanto, padecem de flagrante vício de inconstitucionalidade, na medida em que indevidamente determinam sejam eles providos por livre nomeação (cargos em comissão). A persistir a irregular forma de nomeação, permitir-se-á ao Chefe do Executivo a utilização destes cargos para condenável apadrinhamento de amigos, colaboradores ou parentes de autoridades locais, em manifesto desvio de finalidade e comprometendo o princípio da impessoalidade que deve reger toda a atuação da Administração Pública. ... “Exatamente por isso o Egrégio Tribunal de Justiça de São Paulo a declarou inconstitucional.”
Ou seja, além de usar a instituição em projetos pessoais, impede e desvia a função do serviço público implicando em “sérias lesões ao direito de todos os cidadãos de concorrerem, mediante concurso público, aos cargos ora preenchidos por comissionados... e, porque não dizer, aos princípios que regem a Administração Pública”.  Aqui sim a maior preocupação. Os danos à administração pública que podem ser irremediáveis, atrasam o desenvolvimento e a qualidade de vida desta que poderia muito bem ser “uma das melhores cidades para se viver”. 

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