sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Em gabinete improvisado, vice-prefeito ouve população

Dr. Ari ouviu a população que o procurou na praça. Fotos:
Ivan Gomes
Queixas não faltaram para Ari Hauck (sem partido) que, sem sala no Paço Municipal, atendeu população na Praça da Bandeira

O vice-prefeito de Itatiba Ari Hauck, o dr. Ari (sem partido), atendeu população na Praça da Bandeira, na tarde de quarta-feira (26), em gabinete improvisado em espaço público. “Não tenho sala, nem mesa e cadeira no Paço Municipal. Como não tenho onde receber as pessoas e sou abordado diariamente por onde estou, seja nas ruas, banco ou mercadão, resolvi vir até elas”, comentou o vice.

Na segunda vez que atendeu o público na praça, Hauck ouviu muitas reclamações. “Vejam este exemplo: nesta quinta-feira [27], fui atender uma família no PSF [Programa de Saúde da Família] do San Francisco II, ‘aquele galpão’ na parte baixa do bairro. Foi estarrecedor o que vi. Goteiras por todas as salas. Atendi as pessoas cercado de baldes para reter a água das goteiras; o forro todo encharcado prestes a se romper e inundar a unidade. É muito desrespeito com quem trabalha ali e ao usuário, uma vez que o prédio acabou de passar por reforma com verba do Governo Federal obtida em 2010, cujo objetivo foi, justamente, reformar o telhado”, afirmou. No tempo em que ficou disponível para atender os cidadãos, Hauck ouviu diversas reclamações e elogios.

Quais as principais reclamações que o senhor ouviu?
Reclamam da falta de moradias, aluguel muito alto e levantam dúvida quanto ao último sorteio das moradias. Muitas reclamações sobre a falta de horários do transporte coletivo (TCI) principalmente nos fins de semana. Também houve queixas sobre a Fênix que faz o transporte intermunicipal, são poucos horários, necessitando ir a Jundiaí e de lá usar o Rápido Cometa para ir a São Paulo. Mas houve elogios à UPA [Unidade de Pronto Atendimento] e elogios aos médicos cubanos nos bairros San Francisco e Porto Seguro, com muitas queixas da demora em conseguir consultas com especialistas. Mas a grande queixa é em relação da ausência do prefeito.

O vice-prefeito disse que muitos reclamam sobre vários
serviços que deixam a desejar no município
Qual análise o senhor faz sobre este gabinete improvisado na praça?
Não imaginava qual seria a recepção das pessoas a um representante da Administração, embora eu esteja totalmente afastado, muitos ainda não sabiam, pois falta um meio de comunicação isento que informe melhor [depois criticam que o povo não sabe votar]. Tenho sido muito bem recebido e este momento deve servir como uma oportunidade de promover uma formação política com a população. Vejam, atendi algumas pessoas simples que me pediram para pagar suas contas, aproveitei que ao lado estavam alguns estudantes e fizemos uma conversa sobre o valor do voto e que favorzinho é igual ao ‘mensalão’.

O senhor acredita que a população está carente em ser ouvida pelas autoridades?
Acho que não só as autoridades deveriam estar mais acessíveis ao público, mas também os diversos Conselhos Municipais, especialmente da Saúde, do Ambiente e o natimorto Conselho da Cidade, com certeza ninguém vai saber o que é isso e nem que seu presidente é o prefeito [João] Fattori e seu secretário Erick Carbonari. Ou seja, estes conselhos são mais para inglês ver que para dar voz ao público.

Com este atendimento em espaço público, é possível contribuir com alguma reivindicação?
Nossas leis são taxativas, dizem que o vice não pode fazer nada se o titular não permitir. No entanto, estes momentos, embora eu não possa resolver nada com minha interferência é possível sim mostrar os caminhos para que as pessoas não fiquem na dependência de favores. Não faço nada, apenas indico onde ir e com quem falar, ensino ‘o caminho das pedras’. As pessoas ficam muito gratas e sentem-se valorizadas. Este é o princípio do ‘empoderamento’ e da conquista da cidadania, ‘ensinar a pescar’.

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