quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Sem gabinete e partido, vice-prefeito atende população em praça pública

Sem sala no Paço Municipal, o vice-prefeito atendeu
em 'gabinete' improvisado na Praça da Bandeira.
Fotos: Ivan Gomes
Rompido politicamente com o chefe do Executivo, Ari Hauck monta ‘gabinete’ na Praça da Bandeira

O vice-prefeito de Itatiba Ari Hauck, o dr. Ari (sem partido), despachou em gabinete improvisado na Praça da Bandeira, Centro de Itatiba, durante à tarde de quarta-feira (19). Sem partido e sem sala no Paço Municipal, o jeito foi improvisar em espaço público. “Nunca tive um local para receber as pessoas que me procuravam como vice-prefeito. Antes mesmo de romper com o prefeito [João Fattori-PSDB] em 2013, já discordava de uma série de atitudes, até que ficou impossível trabalhar em conjunto”, comentou Hauck.  

Com uma mesa e um panfleto, Hauck conversou com populares que pararam para saber o que ocorria e qual seria a motivação para o vice estar em atendimento na praça. Das pessoas que passaram pelo local, Hauck foi muito elogiado e muitas delas perguntaram sobre seu futuro político. “Minha atuação política é um dever de consciência. Não se pode exigir melhorias quando nos omitimos. Enquanto médico tenho muita consciência de que o sofrimento e a doença têm origem na desigualdade social e na injustiça. Então me sinto no dever de fazer minha parte”, destacou.

O vice comentou que várias pessoas pedem sua candidatura para próxima eleição. “Muitas pessoas me estimulam a ser candidato seja a prefeito ou vereador. Infelizmente o TSE [Tribunal Superior Eleitoral] tem retardado o registro do partido Rede Sustentabilidade, legenda que ajudo a construir com a equipe da ex-candidata à presidência Marina Silva desde 2011 e que tem uma proposta muito inovadora do sistema político e isso deixa em alerta aqueles que tiram vantagens da administração pública”, relatou.

Hauck ficou na praça por cerca de três horas. Ele conversou e
explicou os motivos que o levaram à praça
CRÍTICAS

O fato de conversar com parte da população em praça pública chamou atenção e rapidamente fotos foram postadas em redes sociais onde houve vários comentários. Alguns criticaram a postura de Hauck, outros elogiaram. Alguns disseram tratar-se da aproximação do período eleitoral.

Enquanto esteve em contato direto com a população, Hauck disse que a ideia do gabinete foi positiva. “A população está indignada com o que vem sofrendo, com o abandono no qual está Itatiba. Como é praticamente impossível conversar com o prefeito, as pessoas ficam lisonjeadas e felizes de poder conversar com o vice. Algumas pessoas ainda não sabiam deste rompimento e se solidarizaram com minha atitude dizendo-se também decepcionadas com Fattori”, alegou.

Com fotos espalhadas pelas redes sociais, Hauck foi alvo de críticas, mas para ele isso é algo normal. “Vejo que muitos não tinham conhecimento das diferenças entre eu e o prefeito e fazem críticas a qualquer pessoa que identificam como político. É assim que a oligarquia no poder se mantém, fazendo com que as pessoas de bem tenham nojo da política. Desta forma, quando os cidadãos se afastam e não se interessam pela política, assim, sem fiscalização, esta oligarquia tem mais facilidade para dilapidar o patrimônio público”, explicou.

Cidadãos que passaram pela praça apoiaram a atitude do vice
e muitos esperam sua candidatura para o próximo ano
MANDATO

Desde 2013 Hauck explica em vários canais de informação que não recebe como vice. Mas os questionamentos prosseguem. “Aposentei-me do serviço público estadual e desde então eu poderia estar também recebendo como vice, mas desde o primeiro dia de mandato fiz a escolha de receber apenas como médico do PSF. Muita gente gosta de inventar mentiras e até já processei pessoas que insistiam em me denegrir acusando-me de acúmulo de salário. Não sei se é apenas o costume de repetir o que se ouve sem confirmar, ou se é pura maldade. Neste caso, aguardo receber a indenização por calúnia”, afirmou.

Hauck também comentou porque não abdicou de seu mandato como vice-prefeito. “Primeiro, porque isso seria fazer o jogo de quem quer ficar à vontade e se livrar de meu papel fiscalizatório. Segundo porque fui eleito por pessoas que ainda hoje me cobram e esperam que eu fique de olho atento para cobrar a execução de um plano de governo democrático”, finalizou. 

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