Fotos: Ivan Gomes
Ari Hauck foi um dos representantes de Itatiba em encontro regional
realizado em Jaguariuna
O vice-prefeito de Itatiba, Ari Hauck, o dr. Ari (sem
partido), participou entre segunda-feira (6) e terça (7) da 7ª Conferência
Regional de Saúde, em Jaguariúna. Hauck que atua como médico do PSF na UBS do
bairro dos Pires, foi um dos representantes dos trabalhadores do município eleitos
na Conferência Municipal em Itatiba para o encontro regional.
Em dois dias de debates sobre a situação do SUS (Sistema
Único de Saúde) na Região Metropolitana de Campinas (RMC) foram discutidas as
melhorias que precisam ser realizadas e a regionalização dos serviços de saúde
para atender a demanda dos 42 municípios da região. Nas discussões os representantes dos gestores,
usuários e de trabalhadores definiram as prioridades e diretrizes regionais a
serem apresentadas nas etapas estadual e nacional.
Também foram eleitos os delegados regionais para
participarem das conferências estadual e nacional. Três representantes de
Itatiba foram eleitos delegados; Sebastião Vendramim como representante dos
usuários do SUS, Luciana Carla e dr. Ari como representantes dos trabalhadores.
Durante os trabalhos, também foram realizadas moções de
apoio e repúdio e algumas ações tanto na esfera estadual quanto federal. Hauck,
como representante de Itatiba, fez moção para que a presidente Dilma Rousseff
(PT) vete perdão de dívidas dos Planos de Saúde com o SUS, projeto apresentado
pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). A moção
apresentada pelo vice-prefeito itatibense foi aprovada por aclamação por todos
que participaram do encontro.
BATE PAPO
Ao final do encontro, Hauck falou sobre suas impressões.
Qual balanço o senhor
faz desta conferência? Ela trará benefícios direto aos usuários do SUS?
As conferências de saúde são um mecanismo de consulta pública
sobre as prioridades do SUS, onde as propostas de cada bairro são levadas à
Conferencia Nacional e passam a constar das diretrizes nacionais e definem as
prioridades nos próximos três anos e tanto o Ministro da Saúde como a própria
presidente devem obedecer, pois os conselhos comunitários são deliberativos
para o executivo, porém o Congresso Nacional tem mais poder de pressão que dificulta
as decisões populares.
Sobre a moção
apresentada, como ocorreu a ideia para esta ação e qual análise o senhor faz deste
assunto?
Esta foi uma das emendas ditas “Tartarugas” que o deputado
Eduardo Cunha embutiu sorrateiramente na aprovação de uma das PECs, perdoando
as dívidas que os Planos de Saúde têm com o SUS. São pagamentos devidos por
procedimentos realizados pelo SUS aos Planos de Saúde nos últimos 20 anos. São
cerca de R$ 2 mi que agora o judiciário deu como causa final favorável ao SUS,
não restando outra coisa senão fazer o pagamento. Como todos sabem, [Eduardo] Cunha
tem suas campanhas eleitorais financiadas pelos planos de saúde, desta forma
ele tira dos pacientes do SUS para enriquecer os empresários de saúde,
inclusive multinacionais.
Outra moção que apresentei foi contra a aprovação da lei,
também da autoria de Cunha, que pode ser chamado de inimigo número 1 do SUS,
que obriga todas as empresas a terem convênio de saúde para seus empregados.
Acontece que os custos destes convênios são descontados do Orçamento Federal
que inviabiliza o SUS. Apresentei outras propostas no sentido de que o governo
do Estado faça suas aplicações conforme a lei, na rede de postos de saúde e que
o governo Federal atualize os valores de pagamentos dos procedimentos
hospitalares para as Santas Casas e hospitais do SUS.
O senhor concorreu
para representar a região na Conferência Estadual, mas alguns membros de
Campinas reclamaram devido ao fato de ser vice-prefeito. Como o senhor vê esta
situação e o que deve ocorrer?
Sim, fui eleito tanto para a Conferência Estadual como para
a Conferência Nacional de Saúde. No entanto, um representante de Campinas
questionou o fato de ser vice-prefeito e achou que atuo na gestão de saúde em
Itatiba. Neste caso encaminhei documentação da própria prefeitura que comprova
que não faço parte da gestão municipal, não recebo salário como vice-prefeito e
que trabalho unicamente como médico de família contratado pela Santa Casa de
Itatiba e não pela prefeitura.
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