quinta-feira, 4 de junho de 2015

Greves sem efeito ou insensibilidade governamental?


As greves em geral, principalmente do funcionalismo público, sejam elas em âmbito estadual ou municipal, não surtem mais efeitos como deveriam. Será que elas se tornaram inócuas ou há muita insensibilidade governamental? O que temos acompanhado por meio de vários órgãos de imprensa é que muitos servidores estão há meses paralisados e até o momento não há qualquer sinalização de acordo e fim do movimento grevista.

Muitos professores da rede estadual em São Paulo estão há mais de dois meses paralisados e neste período, além de não conseguirem um acordo. ainda foram vítimas de repressão policial durante manifestos nas tentativas de chamar atenção das autoridades para o diálogo, algo mínimo que pode ocorrer em um país que se diz democrático.

Com a falta de confabulação, não há acordos e a paralisação se estende e não sabemos quando isso chegará ao fim. O que sabemos é que os servidores são prejudicados tanto quanto quem depende da prestação de seus serviços. Outro problema que contribui para que as paralisações não surtam o mesmo efeito é a falta de união entre a classe. As greves tornam-se inócuas quando pequena parcela de trabalhadores adere ao movimento.

Se houvesse no mínimo 70% da classe trabalhadora paralisada com certeza o governo teria pensado abrir negociação, mas como é uma minoria, faz de conta que ela não existe e busca-se uma maneira de suprir a ausência dos que cobram melhores condições salariais e de trabalho. E dessa maneira a roda continua a girar e tanto os profissionais e as pessoas que deles dependem ficam a ver navios.

A falta de união entre os profissionais é gritante e isso contribui para que as melhorias não ocorram e enfraqueça o movimento grevista. Outro problema é que a população, grande parte dela, que sempre teve “um pé atrás” com o funcionalismo público, agora fique ainda mais e deixe de apoiar a paralisação. Por isso não perca tempo em pedir apoio, é preciso lutar com o que tem em mãos. Vale lembrar que o ganho de uma categoria impulsiona que outras consigam objetivos semelhantes.

E o que mais impressiona é que a crise atual, em relação as greves, ocorra em locais governados por pessoas do PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira), isso mesmo, aquele partido que lançou um candidato para concorrer à presidência mas que devido a sua derrota nas urnas passa maior parte dos dias apenas em críticas ao governo federal e com afirmações duvidosas de que seu partido e asseclas estão acima do bem e do mal, como o PT (Partido dos Trabalhadores) em outras épocas. E muitos ainda choram que esta pessoa não esteja à frente do país. O governo Dilma é ruim, mas e os governos tucanos?

E as greves chegaram aos municípios. Assim como em junho de 2014, parte dos servidores municipais de Itatiba está paralisada. Não houve acordo com a administração e o movimento teve data para começar mas não sabemos quando chegará ao final. Parte deste filme conhecemos e já acompanhamos, infelizmente. Que estes que estão nas ruas tenham força para seguir à labuta e contribuam para que a partir do próximo ano, quando haverá eleições, mostrem o quanto é importante refletir, e muito, antes de teclar números nas urnas eletrônicas.

O final das greves não será como Hollywood, não haverá final feliz. Haverá semanas (ou meses) de paralisação, cansaço e desgaste dos servidores, ações judiciais e um problema imenso para que o futuro prefeito/governador resolva. É assim que funcionam os governos tucanos: sucateiam a estrutura, privatizam ao léu, criam pedágios e deixam a conta para que os outros paguem. E este preço nos afeta pelo nosso descaso em não participar ativamente da vida pública. A greve é um ato político! Deixe um pouco seu pseudoconforto de lado e procure ver a situação por outros ângulos. A realidade é muito mais cruel do que você imagina.   

Nenhum comentário:

Postar um comentário