As greves em geral, principalmente do funcionalismo público, sejam elas em âmbito estadual ou municipal, não surtem mais efeitos como deveriam. Será que elas se tornaram inócuas ou há muita insensibilidade governamental? O que temos acompanhado por meio de vários órgãos de imprensa é que muitos servidores estão há meses paralisados e até o momento não há qualquer sinalização de acordo e fim do movimento grevista.
Muitos professores da rede estadual em São Paulo estão há
mais de dois meses paralisados e neste período, além de não conseguirem um
acordo. ainda foram vítimas de repressão policial durante manifestos nas
tentativas de chamar atenção das autoridades para o diálogo, algo mínimo que
pode ocorrer em um país que se diz democrático.
Com a falta de confabulação, não há acordos e a paralisação
se estende e não sabemos quando isso chegará ao fim. O que sabemos é que os
servidores são prejudicados tanto quanto quem depende da prestação de seus
serviços. Outro problema que contribui para que as paralisações não surtam o
mesmo efeito é a falta de união entre a classe. As greves tornam-se inócuas
quando pequena parcela de trabalhadores adere ao movimento.
Se houvesse no mínimo 70% da classe trabalhadora paralisada
com certeza o governo teria pensado abrir negociação, mas como é uma minoria,
faz de conta que ela não existe e busca-se uma maneira de suprir a ausência dos
que cobram melhores condições salariais e de trabalho. E dessa maneira a roda
continua a girar e tanto os profissionais e as pessoas que deles dependem ficam
a ver navios.
A falta de união entre os profissionais é gritante e isso
contribui para que as melhorias não ocorram e enfraqueça o movimento grevista.
Outro problema é que a população, grande parte dela, que sempre teve “um pé
atrás” com o funcionalismo público, agora fique ainda mais e deixe de apoiar a
paralisação. Por isso não perca tempo em pedir apoio, é preciso lutar com o que
tem em mãos. Vale lembrar que o ganho de uma categoria impulsiona que outras
consigam objetivos semelhantes.
E o que mais impressiona é que a crise atual, em relação as
greves, ocorra em locais governados por pessoas do PSDB (Partido da Social
Democracia Brasileira), isso mesmo, aquele partido que lançou um candidato para
concorrer à presidência mas que devido a sua derrota nas urnas passa maior
parte dos dias apenas em críticas ao governo federal e com afirmações duvidosas
de que seu partido e asseclas estão acima do bem e do mal, como o PT (Partido
dos Trabalhadores) em outras épocas. E muitos ainda choram que esta pessoa não
esteja à frente do país. O governo Dilma é ruim, mas e os governos tucanos?
O final das greves não será como Hollywood, não haverá final
feliz. Haverá semanas (ou meses) de paralisação, cansaço e desgaste dos
servidores, ações judiciais e um problema imenso para que o futuro prefeito/governador resolva. É assim que funcionam os governos tucanos: sucateiam a estrutura,
privatizam ao léu, criam pedágios e deixam a conta para que os outros paguem. E este preço nos afeta pelo nosso descaso em não participar ativamente da vida
pública. A greve é um ato político! Deixe um pouco seu pseudoconforto de lado e
procure ver a situação por outros ângulos. A realidade é muito mais cruel do
que você imagina.


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