quarta-feira, 17 de junho de 2015

Ari Hauck participa da 5ª Conferência de Saúde em Itatiba

Fotos: Ivan Gomes
O vice-prefeito de Itatiba, Ari Hauck, o dr. Ari, participou entre a tarde e noite de terça-feira (16) da 5ª Conferência de Saúde, realizada no teatro Ralino Zambotto. Diversos assuntos referentes ao tema foram apresentados e votados por dezenas de pessoas que estiveram presentes ao evento.

Ao final da votação das propostas para melhorias do atendimento à saúde no município, houve escolha dos representantes itatibenses que estarão em conferência regional na cidade de Campinas, entre 6 e 7 de julho e, mais tarde, nos representarão na Conferência Nacional de Saúde em Brasília onde serão definidas diretrizes de trabalho para os próximos dois anos. Assim que os trabalhos foram encerrados, Hauck falou sobre a conferência e outros assuntos.

Blog: Ari, faça um balanço sobre a conferência.
Ari Hauck: Esta foi a conferência com menor participação social nos últimos anos. Basta ver o esvaziamento do teatro. Acho que as pessoas estão descrentes e decepcionadas com a gestão municipal pois tinham muitas expectativas neste governo e se viram excluídas do processo.

B: Quais propostas que mais chamaram atenção pelo lado positivo e houve alguma com aspecto negativo?
AH: Do lado positivo, nada de novo, apenas repetição de exigências ainda não atendidas como a implantação da “Ouvidoria da Saúde”, “Plano de Carreira”. A única boa novidade é a de se fazer uma Lei que implanta o programa de “Doula”, em apoio à gestante e parturiente.
Quanto as demais, temos as mesmas cobranças de direitos dos pacientes como manutenção de prédios, reformas, exames, farmácia em todas as unidades, mais médicos, atendimento mais humanizado.
Da parte dos trabalhadores também as mesmas exigências de direitos como auxilio transporte, ajuda de custos, capacitação. Também exigências de que o secretário [Luiz Simões] cumpra suas obrigações de melhor administrar recursos, veículos, contratos, serviços, como o esquecido CAPS. Assim como exigências de apoio financeiro e logístico por parte do governo do Estado e Ministério da Saúde.

B: Como o senhor recebeu a proposta das enfermeiras em reduzir o horário de atendimento para 30 horas semanais?
AH: Este é um projeto que está no Congresso Nacional onde já foram aprovadas as reduções de psicólogo, nutricionista, terapeutas. Este pleito é um equívoco das lideranças destas categorias, alimentado pelos setores privados. Eles justificam que assim poderão exercer outros empregos e melhorar suas rendas. Na verdade, vão se tornar escravos do mercado de trabalho desenvolvendo suas atividades por mais de 12 horas diárias, quando o ideal seria lutarem por um piso salarial digno, como fazem os professores, e assim poderem se dedicar a um único emprego e a suas famílias com dignidade.

B: Sua proposta foi em ter reajuste salarial justo às enfermeiras para manter 8 horas de atendimento. Como analisa a negativa das profissionais? A redução da carga horária pode prejudicar os pacientes?
AH: Vai prejudicar em muito. Na verdade, isso vai abrir uma brecha para se contratar profissionais por apenas 4 horas. Quem entra as 7 horas e sai às 13h, ou fica sem atividade na hora de almoço ou obriga os pacientes a deixarem suas famílias na hora do almoço, como infelizmente, já fazem alguns médicos. Essa proposta, obrigará as prefeituras a contratar duas enfermeiras no lugar de uma. Vai encarecer e sucatear qualquer serviço, seja público ou privado que trabalhe no horário comercial comum a todos as pessoas. Além disso vai piorar o desgaste de quem trabalha com a enfermagem, sem obterem uma melhoria salarial que compense este sacrifício.

"Gestão de serviço não é dar uma passadinha no gabinete", Ari Hauck, vice-prefeito 

B: O senhor será um dos representantes de Itatiba na conferência estadual em Campinas. Quais são suas expectativas?
AH: Já participei de outras conferências e, pela minha formação e atuação como professor na Faculdade de Medicina na área de gestão em saúde pública, espero levar adiante as necessidades da população e dos profissionais de saúde no sentido de que estas sejam atendidas com mais eficiência por parte dos gestores. Gostaria de aprovar critérios onde os gestores fossem responsabilizados por agirem ‘politiqueiramente’ usurpando os direitos dos cidadãos e dos trabalhadores.

B: Deixo espaço para algum comentário que considere importante e não tenha sido perguntado.
AH: Hoje entendemos como atitude saudável, a melhor compreensão e percepção por parte das pessoas daqueles fatores que lhe garantem melhor qualidade de Vida e, portanto, de Saúde; assim como, a atitude de luta pacífica e determinada para garantir seus direitos.
A Constituição Britânica [Bill of Rights – Carta dos Direitos] completou ontem 800 anos. A palestrante de hoje comentou que “a guerra [e a violência] nivela as pessoas em seus direitos e deveres”. Isso pode ter sido real até o século passado, mas não mais hoje. Basta de violência! [mesmo a verbal].
Não podemos aceitar que os deputados perdoem a dívida de R$ 2 bilhões que os planos de saúde têm com o SUS! Não podemos aceitar que eles aprovem a PEC 451/14 que aprova a obrigatoriedade de contratar planos de saúde nas empresas [que serão subsidiados pelo SUS]. Não podemos aceitar que advogados e juízes determinem os gastos na saúde. Não podemos aceitar que ‘politiqueiros’ usem a saúde como palanque eleitoral, como nosso secretário de saúde que se ‘pavaneia’ de colocar especialistas [estudantes] para atender saúde escolar e esquece que é sua obrigação dar condições para que a equipe de saúde do bairro se integre à escola ao seu lado.

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