Fotos: Ivan Gomes
Ao final da votação das propostas para melhorias do
atendimento à saúde no município, houve escolha dos representantes itatibenses
que estarão em conferência regional na cidade de Campinas, entre 6 e 7 de julho
e, mais tarde, nos representarão na Conferência Nacional de Saúde em Brasília
onde serão definidas diretrizes de trabalho para os próximos dois anos. Assim que os trabalhos foram encerrados, Hauck falou sobre a
conferência e outros assuntos.
Blog: Ari, faça um balanço
sobre a conferência.
Ari Hauck: Esta foi a conferência com menor participação social nos
últimos anos. Basta ver o esvaziamento do teatro. Acho que as pessoas estão
descrentes e decepcionadas com a gestão municipal pois tinham muitas
expectativas neste governo e se viram excluídas do processo.
B: Quais propostas que
mais chamaram atenção pelo lado positivo e houve alguma com aspecto negativo?
AH: Do lado positivo, nada de novo, apenas repetição de
exigências ainda não atendidas como a implantação da “Ouvidoria da Saúde”, “Plano
de Carreira”. A única boa novidade é a de se fazer uma Lei que implanta o
programa de “Doula”, em apoio à gestante e parturiente.
Quanto as demais, temos as mesmas cobranças de direitos dos
pacientes como manutenção de prédios, reformas, exames, farmácia em todas as
unidades, mais médicos, atendimento mais humanizado.
Da parte dos trabalhadores também as mesmas exigências de
direitos como auxilio transporte, ajuda de custos, capacitação. Também
exigências de que o secretário [Luiz Simões] cumpra suas obrigações de melhor
administrar recursos, veículos, contratos, serviços, como o esquecido CAPS.
Assim como exigências de apoio financeiro e logístico por parte do governo do Estado
e Ministério da Saúde.
B: Como o senhor recebeu
a proposta das enfermeiras em reduzir o horário de atendimento para 30 horas
semanais?
AH: Este é um projeto que está no Congresso Nacional onde já
foram aprovadas as reduções de psicólogo, nutricionista, terapeutas. Este
pleito é um equívoco das lideranças destas categorias, alimentado pelos setores
privados. Eles justificam que assim poderão exercer outros empregos e melhorar
suas rendas. Na verdade, vão se tornar escravos do mercado de trabalho
desenvolvendo suas atividades por mais de 12 horas diárias, quando o ideal
seria lutarem por um piso salarial digno, como fazem os professores, e assim
poderem se dedicar a um único emprego e a suas famílias com dignidade.
B: Sua proposta foi em
ter reajuste salarial justo às enfermeiras para manter 8 horas de atendimento.
Como analisa a negativa das profissionais? A redução da carga horária pode
prejudicar os pacientes?
AH: Vai prejudicar em muito. Na verdade, isso vai abrir uma
brecha para se contratar profissionais por apenas 4 horas. Quem entra as 7
horas e sai às 13h, ou fica sem atividade na hora de almoço ou obriga os
pacientes a deixarem suas famílias na hora do almoço, como infelizmente, já
fazem alguns médicos. Essa proposta, obrigará as prefeituras a contratar duas
enfermeiras no lugar de uma. Vai encarecer e sucatear qualquer serviço, seja público
ou privado que trabalhe no horário comercial comum a todos as pessoas. Além
disso vai piorar o desgaste de quem trabalha com a enfermagem, sem obterem uma melhoria
salarial que compense este sacrifício.
"Gestão de serviço não é dar uma passadinha no gabinete", Ari Hauck, vice-prefeito
B: O senhor será um dos
representantes de Itatiba na conferência estadual em Campinas. Quais são suas
expectativas?
AH: Já participei de outras conferências e, pela minha formação
e atuação como professor na Faculdade de Medicina na área de gestão em saúde pública,
espero levar adiante as necessidades da população e dos profissionais de saúde
no sentido de que estas sejam atendidas com mais eficiência por parte dos
gestores. Gostaria de aprovar critérios onde os gestores fossem
responsabilizados por agirem ‘politiqueiramente’ usurpando os direitos dos
cidadãos e dos trabalhadores.
AH: Hoje entendemos como atitude saudável, a melhor compreensão
e percepção por parte das pessoas daqueles fatores que lhe garantem melhor
qualidade de Vida e, portanto, de Saúde; assim como, a atitude de luta pacífica
e determinada para garantir seus direitos.
A Constituição Britânica [Bill of Rights – Carta dos
Direitos] completou ontem 800 anos. A palestrante de hoje comentou que “a
guerra [e a violência] nivela as pessoas em seus direitos e deveres”. Isso pode
ter sido real até o século passado, mas não mais hoje. Basta de violência! [mesmo
a verbal].
Não podemos aceitar que os deputados perdoem a dívida de R$ 2
bilhões que os planos de saúde têm com o SUS! Não podemos aceitar que eles
aprovem a PEC 451/14 que aprova a obrigatoriedade de contratar planos de saúde
nas empresas [que serão subsidiados pelo SUS]. Não podemos aceitar que
advogados e juízes determinem os gastos na saúde. Não podemos aceitar que ‘politiqueiros’
usem a saúde como palanque eleitoral, como nosso secretário de saúde que se ‘pavaneia’
de colocar especialistas [estudantes] para atender saúde escolar e esquece que
é sua obrigação dar condições para que a equipe de saúde do bairro se integre à
escola ao seu lado.
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