quinta-feira, 9 de abril de 2015

Em debate sobre segurança, capitão da PM pede contribuição da população no combate à criminalidade

Fotos: Ivan Gomes
O Capitão PM Busato, que atualmente é comandante da 2ª Companhia da Polícia Militar, responsável pelo policiamento de Itatiba, Morungaba e Louveira, esteve no dia 25 de março no programa 3ª Via, apresentado pela Rádio Click Web. Junto com o vice-prefeito de Itatiba, Ari Hauck, o dr. Ari, e o sociólogo Reginaldo Angelon participou de debate sobre segurança pública.  Para ouvir ou fazer download acesse: http://3via.podomatic.com/

Ao responder os questionamentos, o capitão afirmou que a situação em Itatiba não é das piores mas disse que é preciso que a população contribua com a Polícia, principalmente com denúncias. “A PM atua na parte repressiva, se não há flagrante, a pessoa não pode ser detida. Por isso é importante que a população denuncie, para o 181 [disque denúncia], 190 da PM, ou webdenuncia.org.br da Secretaria de Segurança Pública. A população precisa ajudar, denunciem!”, pediu o capitão Busato.

Ele falou também sobre a sensação de insegurança no município. “As pessoas têm sensação de que os roubos apenas aumentam, mas analisamos as estatísticas. Dizer que as coisas só pioram não condiz com a realidade, pois a população aumenta constantemente e os casos de roubos, furtos e outros crimes ‘flutuam’. Em algumas épocas aumentam, outras se mantém estáveis e alguns meses apresentam queda”, informou o capitão.

Busato falou sobre como a PM tem trabalhado para o combate da criminalidade no município. “Nós dividimos a cidade em várias áreas, cada qual com suas características. Temos reuniões semanais e quando algum setor apresenta mais casos de crime, mudamos a maneira de atuar. Mas temos limitações e não temos viatura para cada bairro. Precisamos trabalhar com casos mais graves, onde mais ocorrem. Locais com roubo, a atenção é uma, furto outra, homicídio é outra forma de fazer policiamento”, explicou.

O capitão, ao responder pergunta do dr. Ari, sobre número de policiais no município, disse que apenas aumento de viaturas e homens não resolverá o problema. “Nosso policiamento, especificamente da PM, depois de 2009, teve retração no número de policiais militares em Itatiba. O número diminuiu pois os policiais foram enviados para equipes de Força Tática e tem treinamento diferente dos outros para combater melhor alguns crimes e estão sempre em Itatiba”, destacou Busato.

OUTRO LADO

Paralelo aos comentários do capitão, o sociólogo Reginaldo Angelon também falou sobre a violência. Um dos pontos destacados por ele, é a falta de estrutura na maioria dos municípios. “Com o inchaço das cidades não temos condições de receber todos e com muita gente, há sempre o aumento nos casos de violência”, afirmou.

Angelon disse também que apesar da sensação de insegurança atual, a violência tem recuado no Estado. “Um mapa do estudo da violência no Brasil mostra que a violência aumentou em quase todo país, com exceção de São Paulo que apresentou recuo”, argumentou.

O sociólogo ainda citou o momento de crise pelo qual o Estado passa e o cidadão não se sente mais representado por ele. “O Estado não representa mais o cidadão devido aos problemas que temos e também a problemas familiares. Hoje existe uma desestrutura familiar muito grande e quando alguém nasce em um local violento, a pessoa se desenvolve e tem grandes chances de ser violento”, comentou Angelon.

Além da falta de estrutura das cidades e também de grande parte da população, as pessoas não tem o hábito da prevenção. “Quando ocorre algum crime as pessoas chamam a polícia mas não há prevenção. Quando isso ocorre as pessoas se sentem estimuladas e se sentem parte de um processo e contribui muito mais, sem isso temos a crise de falta de Estado. Precisamos pensar em projetos que envolvam vários profissionais junto com a Polícia. O Estado precisa se fazer mais presente. Nós precisamos formar os cidadãos”, encerrou Angelon.

OLHO VIVO

Tanto o capitão Busato como dr. Ari falaram sobre o sistema de monitoramento denominado “Olho Vivo”. “O ‘Olho vivo’ funciona e nos têm ajudado muito no combate aos crimes no município. É uma ferramenta excelente”, declarou o comandante da PM.

O vice-prefeito de Itatiba, falou sobre o investimento por parte da prefeitura no sistema de monitoramento e também sobre fatos violentos. “Pena que a prefeitura tem muito pouco interesse em instalar mais destes aparelhos”, disparou Hauck que criticou também o Governo do Estado. “A violência é própria da humanidade, mas é grandemente aumentada nas desigualdades sociais. Todos os países desenvolvidos investem em auxílios tipo ‘Bolsa Família’, mas isso é insuficiente. Nosso sistema educacional é precário e as escolas estaduais em vez de acolher e oferecer alguma forma de inclusão acabam expulsando os menores problemáticos, jogando-os nas mãos da ‘escola do crime’”, criticou.

Hauck disparou também contra o atual governador Geraldo Alckmin (PSDB), que recebeu votação expressiva em sua reeleição em Itatiba. “O governador reeleito, somente em nosso município teve 72% dos votos, desmontou a Segurança Pública e isso não foi manchete. Em 2008 Itatiba tinha 82 soldados PMs, hoje tem somente 56. Tinha três delegados e seis investigadores, hoje tem um delegado e dois investigadores. As estatísticas policiais são falsas, pois a população cansou de perder tempo fazendo BO [Boletim de Ocorrência]. A criminalidade pelas drogas só aumenta e a política de Alckmin é a mesma da Idade Média. Os poucos policiais quando prendem em flagrante ficam frustrados pois o delegado não tem como finalizar uma boa investigação que acumule provas concretas. Em pouco tempo o bandido é solto pela Justiça. Quem faz BO tem medo”, enfatizou.

O vice-prefeito também criticou projeto para redução da maioridade penal. “Agora o PMDB e o PSDB querem aprovar mudanças na maioridade penal, para que? Para construir mais prisões-escolas de crime? Enquanto isso leis para acabar com a corrupção são engavetadas. Culpa de quem? Do eleitor”, encerrou Hauck. 

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